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- Processo de Negociação.
Quer as pessoas queiram ou não, toda negociação é
um processo. Importa em aspectos tais como etapas, estratégias, táticas,
superação de impasses e a forma de se efetuar concessões.
Ter a consciência de que negociação é um processo é
fundamental. Existem três etapas deste processo que normalmente se constituem
em pontos fracos de muitos negociadores, que são a preparação,
ou seja, o dever de casa, a exploração, que é a coleta de
informações, para que se possa fazer uma apresentação
de acordo com os interesses, necessidades e desejos do outro lado e o controle
e avaliação, que é o que se sucede após o acordo.
Na verdade, é aqui que poderemos saber o que vai ser efetivamente implementado
e se o se o acordo foi bem ou mal formulado. De nada adianta um acordo que,
quando foi assinado se constituía num verdadeiro ganha/ganha, mas que na
sua implementação, por má fé ou incompetência,
acaba se transformando num ganha/perde ou, mesmo, num autêntico perde/perde. 3
- O Conhecimento do Assunto, Objeto da Negociação.
Este ponto é de extrema importância, pois negociação
é o processo de alcançar objetivos através de um acordo e
quem não conhece o assunto não sabe diferenciar um bom de um mau
objetivo. Se comporta como alguém que toma um taxi numa cidade desconhecida.
O motorista faz logo duas ou três perguntas e de acordo com as respostas,
uma corrida que pode ser feita em 10 ou 15 minutos acaba demorando uma hora ou
mais. Conhecer o assunto é básico para que se possam estabelecer
objetivos, definir a margem de negociação, construir alternativas
de ganho comum e estabelecer critérios objetivos que possam ser utilizados
na definição do acordo. Pode envolver, entre outros, aspectos
técnicos, econômicos, financeiros, sociais, administrativos, jurídicos,
contabilidade de custos e matemática financeira. E é preciso ter
muito cuidado com estes assuntos. Vejamos, por exemplo, a matemática
financeira, onde os equívocos podem ser enormes. Quem se dá
ao trabalho de verificar as formas de pagamento anunciadas em jornais fica estarrecido.
Os juros, muitas vezes, ultrapassam a casa dos 70%, camuflados, em algumas oportunidades,
sob a forma de prestações decrescentes. 4
- Os Cenários da Negociação.
Toda negociação tem três cenários. O primeiro diz respeito
ao local e às pessoas que estão diretamente envolvidas na negociação,
ou seja, àqueles que estão buscando chegar a um acordo. É
sempre necessário saber a autoridade da pessoa com quem se está
negociando. Caso não se tenha esta preocupação pode-se perder
muito tempo negociando com a pessoa errada ou se fazer concessões sem não
obter nada em troca. O segundo cenário diz respeito ao que está
por traz destes negociadores, tal como pessoas que consideram importantes ou tem
como modelo, e pessoas que lhes dão os parâmetros a que devem se
ater e definem seus limites de autoridade. A estas pessoas chamamos de eleitorado
dos negociadores e saber quem é o eleitorado do outro negociador pode ser
uma informação de grande valia. Inclui-se aqui, também, todo
o apoio logístico necessário para que se efetue uma boa negociação,
tal como uma sólida base de informações, de análise
e de assessoria. Pode-se pensar em alguma coisa semelhante ao que acontece
nas partidas de xadrez. Quando uma partida é suspensa, cada lado tem um
conjunto de assessores que vai analisar o que ocorreu, prever quais os possíveis
desdobramentos e oferecer sugestões. O terceiro cenário é
o macro ambiente econômico, político, social e cultural. Nestes tempos
de globalização, tem um peso bastante acentuado. Várias
negociações já foram perdidas em função do
desconhecimento da cultura de outro povos. 5
- Relacionamento Interpessoal.
É uma outra área básica a ser considerada. A habilidade de
relacionamento começa, na realidade, com a capacidade de separar as pessoas
dos problemas que ocorrem na negociação. Isto quer dizer não
transformar as dificuldades inerentes ao processo de negociação
em algo pessoal contra a figura do outro negociador. Ou seja, uma batalha de vontades,
um conflito de egos, em que o mais importante passa a ser ver as suas opiniões
e posições prevalecerem, não importando a qualidade do acordo
nem a contribuição efetiva que o outro lado pode oferecer no sentido
de um desfecho que atenda aos interesses de ambas as partes. Esta área
também diz respeito a capacidade de identificar estilos comportamentais
dos negociadores, de negociar de forma apropriada ao estilo do outro e de saber
trabalhar com os impasses e as frustrações que, eventualmente, possam
ocorrer. Conclusão A
negociação eficaz depende, portanto, de muita competência.
Deve ser sempre lembrado que esta competência diz respeito não
somente a aspectos da realidade externa dos negociadores, mas também e,
sobretudo, de suas realidades internas, tal como seus processos de percepção,
expectativas, emoções, temores, atitudes, crenças, valores
e necessidades. Um negociador eficaz tem sempre presente que as pessoas se comportam
de acordo com a realidade percebida, isto é com seus mapas mentais que
são suas representações da realidade externa, ou seja, do
território e, consequentemente, dos cenários da negociação.
Portanto, negociar bem é, também, um processo de descoberta da experiência
subjetiva própria e do outro negociador, e de seu território interno,
pois este é o verdadeiro local em que a negociação acontece. Material
retirado do programa do INSTITUTO MVC: Negociação Foco em Resultados
Obrigado
por sua atenção. Um
abraço, Paz e Prosperidade. |